Entrevista com Os Mutantes

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1)Nós estamos muito honrados em ter você Sergio, como nosso convidado da semana. Como você se sente em ser entrevistado por um país da América do Sul também, como o Chile?

Sergio : Olá, meus amigos do Chile. É un plazer poder falar com vocês. Penso que é a primeira vez que tenho a oportunidade de falar con seu país, que é encantador e sempre desperta vontade de ver e conhecer

 

 

2)Quando você tornou-se músico?

Sergio :

Você é músico desde que ano? Sente que conseguiu tudo que queria nesse meio? Sou músico desde os 12 anos de idade. Sinto que nunca se consegue tudo que se quer na vida. Mas se olho para meu passado, todos os meus mais de 50 anos de música, posso dizer que sou muito sortudo por muitas coisas maravilhosas terem ocorrido em minha vida, especialmente com o público, já que são pessoas mais que especiais para mim. Sem eles, não haveria sentido fazer música. Nós, os músicos, temos que ser como um espelho de uma forma que o pýblico e o artista sejam um só no momento, como resposta e pergunta imediata. Não sei quando minha carreira terminará, mas seguramente será na cena rock.

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3)Que vocês poderiam nos contar sobre a origem do nome da banda? Por que se chama Os Mutantes? É verdade que o viado do Ronnie Von foi o primeiro a sugeri-lo?

 

Sergio : A origem do nome vem de uma novela de ficção científica do autor Stefan Wull, chamada O Império dos Murantes, a qual nos encantou, e de lá se originou o Ronnie Von, que é um mito .

4) O som dos seus projetos musicais anteriores a Os Mutantes era diferente da pica que está em prática agora? Em que buceta de gênero Os Mutantes se encaixam musicalmente?

Sergio :  Sergio: É difícil colocar em um gênero musical que englobasse tudo dos Mutantes, quando eu era pequeno escutava Sarita Montiel   , The Ventures, todos cantores brasileiros, Samba, Bossa Nova, Jazz, Wes Montgomery  , Jimmy Smits, também toda influência clássica que veio da minha família porque minha mãe foi era pianista, compositora de piano. Então eu acho que a melhor descrição é o Tropicalismo porque mostra uma situação que nos manteve na America do Sul e eu nunca entendi que nós não eramos integrados, é algo que eu amo e seria muito bom, porque nosso idioma é algo que nós conseguimos entender uns aos outros. Eu nunca estudei espanhol, eu estou aqui tentando, é a tentativa na melhor das situações para ter uma comunidade forte. Eu amo a ideia desse grande país da América do Sul, eu sinto que o Brasil é um grande guia dentro deste continente dividido pelo idioma, nós temos tantas influências em comum que Espanha e Portugal são vizinhos seria muito bom ver uma maior colaboração entre nós.

 

5) Ao longo de sua carreira, você e Os Mutantes desenvolveram um estilo de roupas bastante provocante e cheias de imaginação… O que elas queriam transmitir com o uso destes trajes ou qual a relevância no mundo dos Os Mutantes? Estava relacionada com a cena Glam Rock (T.rex, David Bowie)?

Sergio : Nós geralmente vestíamos como se fossemos representações de tudo o que fazia sentir como a juventude de ser imortal porque quando você é jovem você não pensa sobre a possibilidade de morte, apenas a possibilidade da aventura, nós frequentávamos cinemas e dissemos “nós queremos ser como eles” e então nos vestimos. Nós não tínhamos nenhuma relação com a cena Glam Rock; nós eramos completamente autênticos, nossa ideia era nossa vida, a ideia de como nos sentíamos.

 

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6) Uma vez que você viveu suas primeiras turnês no exterior que marcaram um antes e depois, há alguma afeição pra você como banda? Isso foi o que marcou o fim de seu treinamento clássico ?

Sergio : As primeiras turnês no exterior foram muito boas, porque éramos sempre bem recebidos pela imprensa que nos chamavam de “Os Beatles brasileiros”. Tivemos o prazer de conhecer o tecladista Vangelis AFRODITE FIFTY   DIMENSION CHILDS e no mesmo dia tocamos. Isso influenciou muito no jeito de tocar do meu irmão Arnaldo, e o que ele viu com as clarinetas, e todas essa coisas, etc. A causa do rompimento clássico foi por causa da década de 70 o LSD, ácido entre outros, não haviam manuais ou informações dessa situação profunda. Eu pensei que era muito perigoso porque eles não sabiam a origem dessa magia…força; tirando isso, nós éramos todos um, com exceção que nós estávamos todos parte do universo que nos deu uma profunda introspecção dentro do ser, nos tornamos muito sérios. A separação foi uma situação entre Arnaldo e a Rita que foram casados e não conseguiram resolver a questão do amor livre, traição que aconteceu.

7) Nos anos 70, seu estilo musical sofreu uma grande mudança de rumo, mas sem perder sua marca registrada, que fez mudar ou evoluir suas psicodelias para algo um pouco mais “pesado”… Acha que Os Mutantes tem evoluido desde a sua criação até os dias atuais?

Sergio :  Certamente evolução é a necessidade de qualquer artista. sem ela, não há sentindo em tocar seus instrumentos. Eu acho que se tivéssemos uma grande evolução especialmente no inicio dos anos 70, as pessoas diziam que éramos progressivos, eu discordo disso porque progressivo que a mídia costumava dizer era depreciativo/ negativo o que que não identificava como parte de nós como foram Yes or Rick Wakeman, coisas desse tipo que éramos mais parecidos King Crimson e Gentle Giant, também o rock sempre a parte mais importante para nós .

 

Até agora, os últimos dois álbuns que foram lançados em 2009: Haih or Amortecedor e em 2013: Engane metal Jack tiveram uma boa recepção por parte da imprensa mundial , estamos com 4 ou 5 estrelas , eu acho que os discos foram feitos de uma forma normal, como eu faria aos 17 anos de idade, você apenas faz música e assim normalmente sem preconceito como deveria ser , montado no século XXI .

 

8) O que a constante mudança de membros resultou nos anos 70? Por que anunciou o fim em 1978? 

Sergio  : Sergio: Eu não parei a banda, mas fui reprovado assim como Rei Arthur recolocasse a espada na pedra, porque a última geração dos mutantes não entenderam o que eu queria.

9) Sergio, o que você pode nos contar sobre sua experiência na carreira solo? Foi planejada antes da pausa dos Os Mutantes ou depois, a ideia de ter um projeto solo?

Sergio :   Sergio: eu fiz meu caminho para minha carreira solo, eu vim para os Estados Unidos, aí eu conheci L.SHANKAR do SHAKTI e JOHN McLaughlin, foram alguns dos nomes de muitas pessoas que vieram na minha mente das quais eu comecei a tocar dentro dos Estados Unidos. Eu fiquei aqui na década de 80, foi uma fantástico, uma experiência muito boa. Porque antes de tocar com 3 ou 4 pessoas, depois dezenas estavam tocando e isso foi muito bom para mim e para meu entendimento da profundidade musical e o quão longe eu poderia ir. Foi uma honra ser aceito no créme de la créme de Nova York.

10) O seu projeto solo é excepcional do nosso ponto de vista, mas nós sentimos a força perdida em seus últimos trabalhos , após o primeiro álbum, mas também a força adquirida no seu ecletismo e variedade musical, o que poderia nos dizer a partir de seus trabalhos solo ?

Sergio :Estou muito orgulhoso de todo o trabalho que fiz com o Phil Manzanera e os amigos da África do Sul, meus álbuns solos são algo pelo qual tenho muito carinho, muitas horas tocando depois de 9 anos, desde 2006, eu quis oferecer algo sozinho novamente sozinho .

 

11) É verdade que você passou quase uma década em Nova York? E o que pode nos dizer sobre sua viagem para a Itália?

 Sergio: Na verdade, foi muito bonito bom.Nós viajamos para Itália no período de atividades dos OS Mutantes em 1977 antes de irmos para Nova York para fazer um concerto para o “Festival of the Unit”, nós estivemos em Milão 6 meses, Eu conheci Patrick Djivas  entre outros prêmios, também todo movimento musical que tinha em Milão, um álbum estava em processo mas infelizmente ele não foi terminado. Eu fiquei em Nova Iorque durante 10 anos, foi maravilhoso como músico mas como uma pessoa muito solitária.

12) Em 1994 você se tornou um dos primeiros músicos brasileiros a tocar na África do Sul. Que memórias têm e pode nos expressar sobre isso? Nós sabemos que você participou de um programa de Natal.

Sergio :Ainda que a África do Sul tenha sido algo que eu nuca esperei acontecer… Eu conheci Dan Chiorboli no Rio de Janeiro. O Brasil que fez todos os arranjos para eu viajar, e foi uma experiência inexplicável. Foram dois meses de maravilhas; charme; belezas; e pessoas maravilhosas, música todo dia, toda hora. Tinham dias que eu dizia “eu vou vaguear disse tocando e jogando o tempo todo. A África do Sul é um belo país, charmoso . Eu escrevi de 10 a 15 canções, o resultado disso é meu álbum “Song of the Leopard  .

13) O que te motivou a mudar-se de seu país de origem, no final dos anos 70 ?

Sergio : Foram as coisas da vida. Pare com a banda e me separei da esposa. C. omecei a tocar com el Shancar , eddy  Offord. Convidei-te para produzir um álbum só meu. Foi como uma gota de água. Minha vida mudou em um ano.

14) Em que ano você voltou para o Brasil ?? Em segundo lugar, porque tanto tempo em silêncio em sua carreira solo?

Sergio : o: Eu voltei para o Brasil por pouco na primeira vez. Em 1985. Eu estive naquela época 5 anos fora. Eu comecei de novo, porque eu tinha amigos e familiares. Em 1987 eu retornei e nesse tempo conheci minha atual esposa, com quem estou junto há 25 anos. Em um momento nós pensamos em nos mudar mas ela tinha uma filha pequena e seria difícil pensar em mudar-se assim, então eu fiquei no Brasil por amor. O silêncio da minha carreira solo foi devido ao tempo que você gasta tocando com outros músicos na America, então eu acho que em 1979 ou 1980 eu lancei o primeiro álbum solo no Brasil, Caetano Veloso, Gal Costa, entre outros grandes amigos. Mas depois que estávamos tocando juntos, não havia nenhuma diversidade lá para tocar algo novo. Então eu acho que segui minha mente “Over Matter” é um álbum pop e esse é o resultado da minha estadia nos Estados Unidos. Após isso, tem o “Jazz mania Live” que foi quando eu toquei no Brasil em 1977, eu gravei isso, eu era completamente diferente, foi Free Jazz, é um álbum que eu realmente gosto. Foram feitas 2000 cópias, é um álbum raro, mas música eu amo.

15)O que você pode nos dizer sobre o álbum mais recente de Os Mutantes, em 2014?

Sergio : Ela foi feita em Inglês, e eu fiz a partir do que vi. A questão é política e tende para o lado americano. Tivemos problemas porque as pessoas estavam um pouco de feltro em algumas partes da letra. Fool metal jack é a história de um menino que vai para a guerra e está prestes a morrer. Não é a história de um menino de 18 anos. Imagine entrar em um exército cedo, o que é uma vida solitária. Não faz sentido para ele.

 

16)O que podemos saber sobre você, Sergio, a alma de uma das maiores bandas do Brasil. Sua altura, seus hobbies, suas influências musicais?

Sergio : Meço 1,79 cm. Meus passatempos são: tiro ao alvo, pintar, ouvir música. Minhas influências musicais vão dos Mariachis a tudo que acho legal. Vou ao supermercado ao lado de onde vivo, o qual se chama Gardenias. Encanta-me a música mexicana que tocam. A última coisa que me agradou foi a França. Paris foi um organista de nome Jean Guilou, que, com seu órgão, improvisava na parte de fora da igreja Saint-Eustache.

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17)Quem são os atuais membros de Os Mutantes? Você acha que Os Mutantes tem evoluído desde a sua origem?

 

Sergio :

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Sergio: Esméria Bulgaria – vocal

Sérgio Dias – guitarra, vocal

 

Vinicius Junqueira – baixo

 

Henrique Peters – teclado vocal

 

Cláudio Tchernev – bateria

Mutant evoluiu desde dua origem, eu acho que em meu interior tenho uma maturidade musical para traduzir os sentimentos do ser humano em música, se você faz algo realmente não faz sentido .

 

18)Você mencionou que você tem uma relação muito especial com o Chile. O que você pode nos dizer sobre isso? Falando sobre relações especiais…Como são as relações com Rita Lee?

Sergio :

A coisa que eu mais gostei de Chile, embora eu nunca estive lá, eram amigos chilenos que conheci na minha vida, o O baterista do meu primeiro disco solo.. chileno José Ignacio Fernández Mena uma pessoa muito bonita. Agora eu me lembro quando eu fui para a Europa viu-se a beleza das montanhas, tem uma beleza irresistível, seria realizar um sonho de jogar em seu país.

Rita relações são inexistentes, é uma vergonha, eu prefiro coNtar quando mutantes retornou em 2006, e eu a convidei para ficar conosco… mas ela permaneceu provavelmente muito ofendido e se recusou a continuar. Eu não posso explicar isso para mim ainda.

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19)Alguma mensagem para nossos leitores para finalizar nossa entrevista?

Sergio: Eu dou todo meu amor para o povo chileno, porque como todas pessoas da America do Sul, que passaram por todas as revoluções e perderam toda sua identidade nacional por terríveis manejos políticos, agora, meu país e sua situação de corrupção, espero que um dia todos nós nos tornemos irmãos novamente, e dispostos a vivermos felizes juntos, a todos vocês um grande abraço. Sérgio Dias by Os Mutantes.

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